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ARTIGO · INVESTIMENTO

Quanto custa um software sob medida — e o que faz o preço variar

Não existe tabela, e quem apresenta uma está orçando outro projeto. Este texto explica o que de fato move o preço, por que orçamento fechado antes do diagnóstico é o formato mais caro para o cliente, e como ler uma proposta técnica.

Por Carlos Eduardo de Souza Soares · CTO da Avia Hub

Publicado em . Revisamos este texto quando a fonte citada muda.

Por que não existe tabela de preço

Software sob medida não é produto, é escopo. Duas empresas que pedem “um sistema de gestão de pedidos” podem estar descrevendo projetos com uma ordem de grandeza de diferença entre si — e a diferença raramente está na tela, está em quantas regras existem por trás dela e em com quantos sistemas ela precisa conversar.

Por isso qualquer número dado antes de entender o escopo é chute. Se acertar, foi sorte; se errar para menos, alguém vai absorver o prejuízo — e normalmente é o cliente, em qualidade ou em aditivo.

O que dá para explicar com honestidade é o que move o preço. Isso não muda de projeto para projeto.

Os seis fatores que movem o preço

FatorPor que pesa
Quantidade de regra de negócioNão é o número de telas: é o número de decisões que o sistema precisa tomar sozinho, e as exceções de cada uma
Integração com o que já existeCada sistema com que o novo precisa conversar acrescenta trabalho de mapeamento, tratamento de erro e sincronização
Qualidade do dado atualSe o dado que vai alimentar o sistema está inconsistente, a etapa de conferência e correção costuma ser maior que a de programação
Nível de disponibilidade exigidoUm sistema que pode ficar fora do ar por uma hora custa uma fração do que custa um que não pode ficar fora nem um minuto
Quem vai manter depoisEntregar para uma equipe interna assumir exige documentação, transferência de conhecimento e escolhas técnicas mais conservadoras
PrazoEncurtar prazo não reduz trabalho: aumenta o número de pessoas em paralelo, e coordenação também custa

Repare no que não está na lista: a quantidade de telas, a linguagem de programação e o tamanho do fornecedor. Os três aparecem em conversa comercial e nenhum deles é bom previsor de esforço.

O que o mercado já mediu sobre para onde o dinheiro vai

Dois números ajudam a entender por que o custo de um sistema não termina na entrega — e vale registrar de onde vêm.

Um levantamento com mais de mil desenvolvedores e mais de mil executivos em cinco países estimou que o desenvolvedor médio gasta cerca de 17 horas por semana lidando com débito técnico. É estimativa de percepção de executivos sobre o tempo de terceiros, não medição instrumentada, e vem de uma empresa que vende infraestrutura para desenvolvedores — mas dá a ordem de grandeza.

Uma pesquisa com 50 CIOs de grandes empresas de serviços financeiros e tecnologia apontou que de 10% a 20% do orçamento de tecnologia destinado a novos produtos é desviado para resolver problemas de débito técnico. A amostra é pequena e a consultoria que a produziu vende modernização.

A leitura útil, apesar das ressalvas: uma parte relevante do custo total de um software é decidida depois da entrega, pela facilidade ou dificuldade de alterá-lo. Um projeto mais barato que produz um sistema difícil de mudar não é mais barato — é mais caro em parcelas.

Por que preço fechado antes do diagnóstico sai mais caro

É contraintuitivo, e vale explicar o mecanismo.

Quando um fornecedor precisa dar um número fechado sem conhecer o escopo, ele faz uma de duas coisas. Ou coloca margem de risco para cobrir o que não sabe — e o cliente paga por incerteza que talvez não se materialize. Ou aperta o número para ganhar — e aí o ajuste vem depois, em aditivo ou em corte de qualidade onde o cliente não vê: teste, documentação, tratamento de exceção.

Nos dois casos, quem absorve é o cliente. A diferença é só quando ele descobre.

Por isso estruturamos investimento em sprints com gates de validação, com percentual de pagamento vinculado a etapa entregue e aprovada. O cliente vê resultado antes de comprometer o todo, e pode parar entre etapas. É um formato que expõe o fornecedor — se a etapa não entregar, o gate não passa — e é justamente por isso que funciona.

Os custos de infraestrutura que ficam com o cliente — servidor, licença de terceiro, serviço de nuvem — são listados à parte, e não embutidos. Embutir esconde o que é recorrente dentro do que parecia ser único.

Como ler uma proposta técnica

Sete perguntas que separam uma proposta técnica de um orçamento. Se a proposta não responde a elas, o número que está nela não significa muito.

  1. O escopo está descrito por regra de negócio ou por tela? Por tela é sinal de que o fornecedor ainda não entendeu o problema.
  2. O que está explicitamente fora? Proposta sem “não inclui” é proposta que vai gerar discussão.
  3. Como o pagamento se liga à entrega? Percentual por etapa validada, ou cronograma de datas independentes do que foi aceito?
  4. O que acontece se uma etapa não passar no gate? Precisa estar escrito antes de acontecer.
  5. De quem é o código no fim? E a documentação, os modelos de dados e a base? Sem cláusula, a resposta padrão pode não ser a que você espera.
  6. Quais custos ficam com o cliente, e quais deles são recorrentes?
  7. Como é a transferência de conhecimento? Carga horária, formato e aceite — ou apenas a palavra “treinamento”?

O que faz o projeto custar menos, de verdade

Nenhum desses itens é desconto. Todos reduzem esforço real.

Escopo menor na primeira entrega. Um sistema que entra em uso resolvendo bem uma parte ensina mais sobre o que é preciso do que seis meses de reunião de levantamento.

Dado organizado antes. Se a empresa consegue chegar com o dado consistente, uma etapa inteira sai do projeto.

Uma pessoa com autoridade para decidir. A maior parte do atraso em projeto de software é espera por decisão, não tempo de programação.

Aceitar o que já existe. Onde um componente de mercado resolve, usar componente de mercado. Sob medida deve ser aplicado ao que é diferencial da empresa, não a tudo.

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Como o investimento é estruturado

Sprints, gates de validação e percentual por etapa validada.

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Desenvolvimento de software sob medida

O que construímos, como funciona e o que fica com a empresa.

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Débito técnico

Por que uma parte do custo é decidida depois da entrega.

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Um escopo antes de um número

Trinta minutos para entender o problema. O número vem depois, na proposta técnica, e vem por etapa.

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