IA proprietária para empresas
A IA treinada com o dado da empresa, hospedada na infraestrutura dela, sem cobrança por uso.
ARTIGO · CUSTO DE IA
A cobrança por token tem uma propriedade que só aparece depois: ela sobe justamente quando a ferramenta começa a funcionar. Este texto explica a estrutura do preço, os itens que crescem sem aparecer na linha principal da fatura e como fazer a conta de 24 e 36 meses antes de decidir.
Token é a unidade em que o modelo lê e escreve texto, e é a unidade em que o fornecedor cobra. Não é uma palavra nem um caractere: é um pedaço de texto que o tokenizador do modelo trata como uma peça.
A própria documentação da OpenAI dá as razões aproximadas: um token equivale a cerca de 4 caracteres, ou a três quartos de uma palavra em inglês — 100 tokens são mais ou menos 75 palavras. A cobrança é dupla: paga-se pelo que entra (o texto enviado) e pelo que sai (o texto gerado), com preços diferentes. Saída costuma custar várias vezes mais que entrada.
Há um detalhe que interessa a quem escreve em português. As razões acima são medidas em inglês. A documentação da OpenAI reconhece que “outras línguas podem ter relação diferente entre caracteres, palavras e tokens”, mas não quantifica. A única quantificação oficial que encontramos vem da DeepSeek, e é sobre chinês: um caractere inglês equivale a cerca de 0,3 token e um caractere chinês a cerca de 0,6 — o dobro.
Procuramos e não encontramos nenhuma página oficial de OpenAI, Anthropic, Google ou DeepSeek que diga quantos tokens a mais o português consome por palavra. O silêncio é o dado: quem opera em português paga um prêmio que nenhum fornecedor publica. A única forma de saber o seu número é medir o seu próprio texto no tokenizador do modelo que você usa, e conferir o campo de uso que a resposta devolve.
Seria fácil colar uma tabela com preço por milhão de tokens. Não fazemos isso, por um motivo prático: essa tabela envelhece em semanas. Modelo novo entra, preço promocional expira, fornecedor muda a política. Uma tabela desatualizada num site é pior do que tabela nenhuma, porque quem lê acredita nela.
O que não muda é a estrutura da cobrança. Ela é a mesma há anos e é ela que determina a sua conta. As páginas oficiais, com o número de hoje, estão listadas no fim deste texto.
Conferimos as tabelas oficiais dos quatro principais fornecedores em 5 de setembro de 2026. Os multiplicadores abaixo estão publicados na documentação deles, e são o que faz a conta variar sem que o modelo mude.
| Multiplicador | O que ele faz na conta |
|---|---|
| Entrada × saída | São preços diferentes. A saída custa várias vezes a entrada. Uma tarefa que gera texto longo custa muito mais que uma que só classifica. |
| Modo de processamento | Na OpenAI, o mesmo modelo tem preço padrão, modo rápido (o dobro) e modos em lote (metade). Entre o mais caro e o mais barato do mesmo modelo há um fator de quatro. |
| Cache de prompt | Ler do cache custa cerca de 10% da entrada normal. Mas escrever no cache custa mais que a entrada normal — 1,25x para cinco minutos e 2x para uma hora, na tabela da Anthropic. Cache mal desenhado aumenta a conta. |
| Janela de contexto longa | No Gemini, acima de 200 mil tokens de prompt a entrada dobra de preço e a saída sobe 50% — no mesmo modelo. Mandar o documento inteiro “por garantia” tem preço. |
| Tokens de raciocínio | A OpenAI documenta que os tokens de raciocínio não são visíveis pela API, mas ocupam a janela de contexto e são cobrados como saída. Você paga por texto que nunca vê. |
| Horário | A DeepSeek cobra tarifa de pico e fora de pico, com 50% de diferença, definidas em fuso de Pequim. O mesmo trabalho custa metade se rodar na hora certa. |
Some a isso as tabelas separadas: imagem, áudio e busca ancorada têm preço próprio, muito acima do texto. No Gemini, a saída de imagem chega a custar vinte vezes a saída de texto no mesmo modelo.
Nenhum desses itens é abusivo — todos estão publicados. O ponto é outro: a conta não é o preço do modelo, é o preço do modelo multiplicado por seis fatores que dependem de como você o usa. Quem orça um projeto de IA olhando só o preço por milhão de tokens erra por múltiplos, não por percentual.
Esta é a propriedade que muda a decisão, e ela é estrutural, não conjuntural.
Uma ferramenta que ninguém usa é barata. Quando ela passa a resolver, três coisas acontecem ao mesmo tempo: mais gente usa, cada pessoa usa mais vezes, e os casos ficam mais complexos — mais contexto enviado, respostas mais longas, mais passos de raciocínio. Os três empurram a conta na mesma direção.
O efeito aparece no volume agregado do mercado. A Alphabet informou, no resultado do segundo trimestre de 2026, que suas APIs de modelo processavam cerca de 22 bilhões de tokens por minuto, contra 16 bilhões um trimestre antes — 37% de crescimento em três meses. E que quase 500 clientes de nuvem processaram, cada um, mais de 1 trilhão de tokens em doze meses.
Do lado de quem paga, isso significa que o sucesso do projeto é o gatilho do aumento de custo. É uma inversão desconfortável: o indicador de que a IA está funcionando e o indicador de que a fatura vai subir são o mesmo indicador.
Não damos aqui o número da sua empresa, porque ele depende do seu volume. Damos o método, que é o que costuma faltar.
O resultado dessa conta varia muito entre empresas, e é por isso que não existe resposta genérica. O que se pode dizer com segurança é qual é a forma de cada curva: o custo por API é uma função crescente do uso; o custo de construir é um investimento definido no projeto mais operação. Onde as duas curvas se cruzam é uma pergunta de aritmética, e a aritmética depende do seu volume.
Duas coisas ficam fora da conta em reais e costumam pesar mais que ela.
Onde o dado fica. As políticas publicadas variam, e vale ler cada uma. A OpenAI declara que, por padrão, dados da plataforma de API depois de março de 2023 não são usados para treinar os modelos, e que entradas e saídas podem ser retidas por até 30 dias para prestação do serviço e detecção de abuso, com opção de retenção zero para casos elegíveis. Os termos comerciais da Anthropic dizem que a empresa não pode treinar modelos com o conteúdo do cliente. O Google separa: nos serviços não pagos da Gemini API, o conteúdo enviado e as respostas são usados para desenvolver produtos e tecnologias de aprendizado de máquina; nos serviços pagos, não.
Repare na assimetria: a mesma API, no mesmo fornecedor, tem regra diferente conforme você esteja no plano gratuito ou pago. Vale conferir em qual dos dois a sua equipe está de fato.
O que sobra no fim do contrato. Encerrado o contrato de API, não fica modelo, não fica base treinada e não fica independência técnica. O que a operação aprendeu ao longo de dois anos de uso não volta como capacidade da empresa. Essa é a diferença entre alugar uma capacidade e construir um ativo — e ela não aparece em nenhuma linha da fatura.
Continua, e em mais casos do que a nossa posição comercial sugeriria. Vale a API quando o volume é baixo e previsível; quando o uso é experimental e você ainda está descobrindo se o caso existe; quando o dado tratado é público ou pouco sensível; e quando não há dentro de casa quem opere infraestrutura.
A decisão muda quando três condições aparecem juntas: volume crescente, dado sensível e uso que virou parte do processo — não mais experimento. Aí a pergunta deixa de ser qual fornecedor é mais barato por token e passa a ser se a capacidade deve ser alugada ou construída.
A IA treinada com o dado da empresa, hospedada na infraestrutura dela, sem cobrança por uso.
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